Diógenes Botelho
O presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional, deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), sugeriu, nesta quinta-feira (04/02), ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que o Congresso Nacional seja consultado sobre a compra de 36 aviões-caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). Os dois conversaram por telefone após Jungmann, que acaba de retornar do Haiti, tomar conhecimento de matéria da Folha de S. Paulo informando que o governo Lula já havia decidido pela compra dos caças Rafale, da empresa francesa Dassault. "O ministro me disse que não há previsão constitucional que obrigue o governo a ouvir o Legislativo. No entanto, lhe disse que isso seria muito importante, mesmo que a Constituição não obrigue, e ele ficou de analisar a nossa demanda, que julgou legítima", relata o presidente da frente parlamentar.
Escolha do caça sai após o carnaval
Na conversa com Jungmann, o ministro Jobim também adiantou que o anúncio do caça vencedor será feito após o carnaval. "Eu indaguei a ele se essa decisão (a favor do Rafale) tinha sido tomada. O ministro Jobim me respondeu que não, disse que recebeu o relatório da FAB no último dia 6 (de janeiro) e que não tinha sequer enviado ao presidente da República. Disse ainda que Lula deve ainda consultar o Conselho Nacional de Defesa. Eu então perguntei ao ministro se ele tinha um prazo para encerrar esse processo na esfera de seu ministério. Ele me disse que, seguramente, na semana seguinte ao carnaval, entregará seu relatório ao Presidente da República", conta Jungmann.
A polêmica em torno da compra do Rafale se deve ao preço da aeronove, estimado em US$ 6,2 bilhões e considerado alto, e a preferência da FAB por outras duas aeronaves. O Rafale é o último colocado no relatório técnico feito pela força aérea. Em primeiro está o caça sueco Gripen e em segundo o americano F-18, da Boeing.